terça-feira, 2 de março de 2010

Carta ao presidente

CARTA PUBLICADA NO ESTADÃO
Carta-resposta de um Juiz ao Presidente Lula publicada no Estadão.
Veja a carta que um juiz colocou no jornal de hoje:
Carta do Juiz Ruy Coppola (2º TAC) .


Mensagem ao presidente!


Estimado presidente, assisti na televisão, anteontem, o trecho de seu discurso criticando o Poder Judiciário e dizendo que V. Exa. e seu amigo Tarso, ministro da Justiça, há muito tempo são favoráveis ao controle externo do Poder Judiciário, não para 'meter a mão na decisão do juiz', mas para abrir a 'caixa-preta' do Poder... Vi também V. Exa. falar sobre 'duas Justiças' e sobre a influência do dinheiro nas decisões da Justiça.

Fiquei abismado, caro presidente, não com a falta de conhecimento de V.Exa., já que coisa diversa não poderia esperar (só pelo fato de que o nobre presidente é leigo), mas com o fato de que o nobre presidente ainda não se tenha dado conta de que não é mais candidato.
Não precisa mais falar como se em palanque estivesse; não precisa mais fazer cara de inconformado, alterando o tom da voz para influir no ânimo da platéia. Afinal, não é sempre que se faz discurso na porta da Volks.

Não precisa mais chorar. O eminente presidente precisa apenas mandar, o que não fez até agora.

Não existem duas Justiças, como V. Exa. falou. Existe uma só.

Que é cega, mas não é surda e costuma escutar as besteiras que muitos falam sobre ela.

Basta ao presidente mandar seu amigo Tarso tomar medidas concretas e efetivas contra o crime organizado.

Mandar seus demais ministros exercer os cargos para os quais foram nomeados.

Mandar seus líderes partidários fazer menos conchavos e começar a legislar em favor da sociedade.
Afinal, V. Exa. foi eleito para isso.
Sr. presidente, no mesmo canal de televisão, assisti a uma reportagem dando conta de que, em Pernambuco (sua terra natal), crianças que haviam abandonado o lixão, por receberem R$ 25,00 do Bolsa-Escola , tinham voltado para aquela vida (??) insólita simplesmente porque desde janeiro seu governo não repassou o dinheiro destinado ao Bolsa-Escola .

Como se pode ver, Sr. presidente, vou tentar lembrá-lo de algumas coisas simples. Nós, do Poder Judiciário, não temos caixa-preta. Temos leis inconsistentes e brandas (que seu amigo Tarso sempre utilizou para inocentar pessoas acusadas de crimes do colarinho-branco) .

Temos de conviver com a Fazenda Pública (e o Sr. presidente é responsável por ela, caso não saiba), sendo nossa maior cliente e litigante, na maioria dos casos, de má-fé.
Temos os precatórios que não são pagos.
Temos acidentados que não recebem benefícios em dia (o INSS é de sua responsabilidade, Sr. presidente). Não temos medo algum de qualquer controle externo, Sr. presidente.
Temos medo, sim, de que pessoas menos avisadas, como V. Exa.. mostrou ser, confundam controle externo com atividade jurisdicional (pergunte ao seu amigo Tarso, ele explica o que é).
De qualquer forma, não é bom falar de corda em casa de enforcado.
Evidente que V. Exa. usou da expressão 'caixa-preta' não no sentido pejorativo do termo.
Juízes não tomam vinho de R$ 4 mil a garrafa.
Juízes não são agradados com vinhos portugueses raros quando vão a restaurantes.
Juízes, quando fazem churrasco, não mandam vir churrasqueiro de outro Estado.
Mulheres de juízes não possuem condições financeiras para importar cabeleireiros de outras unidades da Federação, apenas para fazer uma 'escova'. Cachorros de juízes não andam de carro oficial. Caixa-preta por caixa-preta (no sentido meramente figurativo), sr. presidente, a do Poder Executivo é bem maior do que a nossa.
Meus respeitos a V. Exa. e recomendações ao seu amigo Márcio.

P.S.: Dê lembranças a 'Michelle'.

(Michelle é cachorrinha presidencial, que passeia em carro oficial e, quando necessário, em avião da FAB, quando algum desconforto mais preocupante recomende uma ida a SPaulo)


Ruy Coppola, Juiz do 2.º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Conto: O último ônibus

Rogério segue para o ponto de ônibus após mais um dia de aula, como fazia rotineiramente. Segurando sua mochila com apenas uma alça ele usa sua mão pra tirar sua carteira do bolso traseiro da calça. O ônibus chega. Rogério entra. Ao cruzar a catraca Rogério percebe que o cobrador deu uma olhada diferente. Ele sabe que ali existe algo além do normal. O cobrador de traços indígenas não disfarça seu desejo, enquanto Rogério acomoda-se no último banco daquele corredor vazio. A viagem não é muito longa, mas deu tempo suficiente para que ambos deixassem a imaginação falar mais alto. Já passava da meia noite quando o ônibus chegou ao terminal. Rogério desce. Louco de desejo o cobrador desce logo em seguida. Rogério entra no banheiro. Desabotoando sua calça o cobrador o segue. Com seu braço forte ele pega Rogério e o prende na última repartição. Rogério tira sua mochila das costas, enquanto o cobrador desce as calças. Ambos se beijam como se fosse um saciar de saudade. Rogério empurra o desconhecido contra a parede e começa a deslizar sua lingua pelo seu corpo liso e nu. As peles se arrepiam de tesão. A respiração se torna mais intensa, ofegante. Os músculos de ambos se contraem, já molhados de suor. O cobrador safado aperta as coxas de Rogério ao ser penetrado. Os movimentos pélvicos evoluem sincronizadamente. As mãos seguram o quadril, enquanto as outras deslizam pela cerâmica da parede branca como algodão. O Jovem estudante geme no ouvido do cobrador devasso, enquanto o pede que bombe com força. Rogério puxa seus cabelos, chupa seu pescoço. Ambos deliram de prazer. No silêncio daquele início de madrugada, apenas os dois compartilhavam aquele segredo. A sensibilidade dos corpos atingia seu ápice, quando Rogério ejacula com vontade. No auge do orgasmo ele penetra com força, até o fundo. Os dois se abraçam, respirando fundo enquanto se recuperam da libido provocada.
Já vestidos, Rogério sai após se despedir com um longo beijo molhado. O que aquele cobrador ousado não desconfiava era que o garoto de aparência tímida escondia um homem safado, gostoso e forte. Ao final, partiram sem ao menos saber os nomes.


O reflexo da cultura atrasada

A Copa do Mundo deu ao Brasil uma grande visibilidade para os próximos anos. Que isso é um ponto positivo não temos dúvidas, porém, como na maioria das coisas nesse país, pode se tornar um problema. Em São Paulo elegeram o Estádio do Morumbi para sediar alguns jogos. O problema é que esse estádio não foi aprovado pela Fifa, mesmo com projetos de reformas. Realmente, ao redor da estrutura existem ruas muito estreitas, além da localização não ser de fácil acesso. Ainda assim insistem em reformar esse estádio mesmo tendo a quase certa reprovação da Fifa, e caso isso aconteça, os jogos de abertura em São Paulo não acontecerão mais. Em Pequin construiram magníficos estádios que impressionaram o mundo, na África também, e no Brasil? Até o momento nem se fala. Esse é o momento de mostrar ao mundo que o Brasil não é um país de coitados, pobres, mas a burocracia e demora pra tomar certas atitudes nos torna atrasados. Por que não se constrói um novo estádio em São Paulo com estrutura de primeiro mundo? Por que demora-se tanto pra resolver assuntos cujo países que eram mais atrasados que o nosso já resolveram? (Africa e China). O que pensará o mundo de nosso país? Será que nos darão novamente a oportunidade de sediar algo, tendo em vista a falta de organização brasileira como está sendo visto atualmente?

Quer saber por que o Brasil não vai pra frente?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Conto: O novato

Robson havia acabado de entrar para o exercito. Chegando no quartel, guardou suas roupas e deitou em sua futura cama. Pouco tempo depois começaram a entrar outros jovens, que assim como ele, foram conhecer o futuro dormitório. Um dos garotos olha para Robson de forma diferente. Robson percebe.
Naquela noite todos vão dormir cedo, pois já estavam avisados que no dia seguinte acordariam antes do sol. Robson não consegue dormir. Ao olhar para o lado, percebe que o outro rapaz da cama ao lado o observa no breu do quartel.
O desejo era explicito no olhar de ambos. Aquele rapaz de pele branca, peitoral definido, cabelos raspados e olhos mel. Deitado sem camisa, desceu seu lençol até um pouco abaixo do umbigo, sem desviar seu olhar de caçador para Robson. Robson suspira sem tirar o olho, percebendo que o rapaz estava sem cueca. Fazendo sinal com a cabeça o rapaz chama Robson para sua cama, mas ele nao responde. Após descer todo o lençol e revelar o volume de seu pênis sob a samba-cançao branca, segue em direção a cama de Robson, onde enfia-se embaixo do lençol e começa a beija-lo loucamente.
Com a tesão aflorando entre ambos, o safado rapaz esfrega seu membro ereto nas coxas de Robson, que tenta resistir mas o tesão é mais forte que ele. Robson abre suas pernas enquanto o outro soldado desce sua cueca de uma só vez. Robson toca os mamilos do outro com a lingua, mas não por muito tempo. Safado, o soldado sem nome segura Robson pela cintura com uma pegada firme e de personalidade.
Sem fazer barulho o moreno de olhos mel inicia suas linguadas em Robson que sente tudo de bruçus. Ele controla-se, gemendo baixo. Sem que ele percebesse, o soldado de nome desconhecido explora todo seu interior com seu pau duro feito rocha. Robson empina sua bunda, enquanto sente aquele membro de veias saltantes entrar cada vez mais fundo. Ele bomba com força. Robson segura na beira da cama, de olhos fechados delirando de prazer. Aquele pênis grosso e reto entra tão facilmente que Robson nao reclama de nada.
Suas pernas estavam tao abertas que iam de uma ponta a outra.
Aos poucos as bombadas foram aumentando. Tornaram-se mais frequentes e intensas, até que seu cabelo passou a ser puxado como crina de cavalo. O suor desce por sua testa, enquanto o entra e sai moldam o ápice do prazer que ele começa a receber de forma crescente.
Sem combinarem, Robson e o soldado gozam ao mesmo tempo. Sua satisfaçao era tanta que Robson ejaculou sem tocar em seu pênis. O prazer de sentir aquele membro firme e malvado foi o suficiente para faze-lo esporrar no próprio lençol.
Em pouco tempo já estavam cada um em sua cama, levando o segredo compartilhado que ficara apenas entre os dois.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Hipocrisia x Religião

Enquanto escrevo meu novo livro, ouço meu pai e meu irmão conversarem sobre religião. Ambos discutem sobre vida após a morte, para onde o espírito vai, as consequências de suas ações em vida e punições no outro plano... Enquanto ouvia as perguntas do meu pai para o meu irmão, percebia sua preocupação com o "sofrimento" em outra vida, resultado de maldades praticadas na Terra. O engraçado era que as perguntas que fazia, eram justamente do seu modo de se comportar. "E se o cara for muito apegado numa coisa, o que acontece quando ele morre?" Entre outras perguntas. Ao final da conversa, criticava as pessoas que só pensam em matéria, gananciosas, e dizia que era a favor da bondade. Bondade? Uma pessoa que despreza a família e passa a vida mau humorada? Que faz de um automóvel o membro mais precioso da família? Que faz um escândalo com todos por R$ 0,20? Pois é, os dois, interessados na prática da religião, praticam exatamente as mesmas coisas e agem da mesma forma contrária ao que pregam. Chamam as pessoas de lixo, praticam maldades achando que são os mais espertos do mundo, querem levar vantagem em tudo, são vingativos, julgam o outro sem ao menos conhecer... Entre essas e outras, fico me perguntando: Pra que religião? Assim como outras pessoas, ambos usam a religião para um alívio de consciência, por um egoísmo de olhar apenas o seu humbigo, e não pensando na prática dos ensinamentos e doutrinas das mesmas para ajudar ao próximo. É como eles dois dizem... "Eu quero que todo mundo se foda!"

30 coisas que você nunca viu

ATENÇÃO: Essa brincadeira abaixo não foi criada por mim, apenas estou postando porque recebi por e-mail e achei que vale a pena refletir sobre!

1. Ex-corno
2. Filho de prostituta chamado Junior
3. Roberto Carlos de bermuda
4. Genro com retrato de sogra na carteira
5. Enterro de anão
6. Japonês com síndrome de Down
7. Recepcionista de agência de emprego educada
8. Santo de óculos
9. Baiana de acarajé ser assaltada
10. Lombardi
11. Cabeça de bacalhau
12. Gêmeos Negros
13. Sonia Abrão falar bem de alguém
14. Chester vivo
15. Entrevistado do Ibope
16. Papel higiênico em banheiro público
17. Boliviana bonita
18. Salário durar trinta dias
19. Previsão da Mãe Diná dar certo
20. Ser fiel até que a morte os separe
21. Uma japonesa vesga
22. Herbert Richard que citam nos filmes
23. Gordo flagrado assaltando geladeira para comer salada
24. Argentino jogar limpo
25. Funcionário público bem humorado
26. Coreano higiênico
27. Macumbeiro rico
28. Taxista honesto
29. Psiquiatra sem cara de louco
30. Bêbado rasgar dinheiro

Quem se lembra?

Postando esse pequeno e eterno vídeo apenas para relembrar uma célebre frase que marcará um período brasileiro para sempre!!!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cada um no seu quadrado...

Todo mundo sabe que fumar em transporte público é proibido por lei. Todo mundo sabe também que poucos respeitam. Por que será? Não precisa ser muito inteligente pra descobrir, afinal, vivemos no país do "jeitinho", nome dado a corrupção descarada. É um absurdo você esperar pelo trem na plataforma ao lado de uma pessoa fumando, além de desagradável. Embora os avisos existam microscopicamente, o absurdo maior é a omissão de alguns funcionários da CPTM que além de não cumprir seu papel de fiscalizar e zelar pelo patrimônio, são vistos também fumando em meio aos usuários.
E assim o país caminha... Brasília com sua fama, os transportes uma calamidade, as ruas imundas e as favelas aumentando. A resposta? "Eu não sabia..."

Na imagem abaixo um guarda de estação passando tempo batendo papo com sua amiga, e para descontrair ela fuma um cigarrinho após voltar cansada do trabalho.







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma ajudinha, por favor?

Outro dia, caminhava pela sombra para encontrar alguns amigos quando fui abordado por uma senhora. A mesma pediu-me alguma moeda pois estava com fome ao mesmo tempo em que alisava sua barriga. Reparei na sacola que ela carregava nas mãos e notei que havia pão e legumes, sendo assim, falta de comida não era. Falei que não tinha dinheiro e continuei meu caminho.
Essa situação fez-me refletir sobre essas pessoas que pedem nas ruas. Até hoje eu nunca fui abordado por ninguém me pedindo comida, somente dinheiro para comprar comida. Lembro-me de uma vez que bateram na porta de casa pedindo dinheiro para comprar comida. Ofereci comida para a moça de cara suja e pálida, e para minha surpresa a mesma recusou (modéstia parte cozinho bem). Diante disso, cheguei a conclusão de que essas pessoas se utilizam de um pretexto para conseguir dinheiro, utilizando problemas sociais, a idade e até mesmo os filhos pequenos. E de quem é a responsabilidade disso? Sua! Enquanto você alimentar esse mercado de esmolas porque fica com dó, mais e mais pessoas se aproveitarão da generosidade alheia. Reveja seus conceitos, preste atenção nas suas atitudes e se questione.

Ainda quer saber por que o Brasil não vai pra frente?


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Viva a democracia!

Nunca na história desse país houve a prisão de um governador em exercício como a que ocorreu essa semana em Brasília. Claro que o fato inédito nos enche de esperança, crendo que dessa vez o país vai andar, porém, ainda não é suficiente. Ficar preso em uma cela especial, e ainda ouvir um comentário de um militar que dizia: "Eles está preso em um ambiente à sua altura". Afinal, não é a constituição brasileira que diz que TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI? Coloque-o nos presídios comuns, comendo a quentinha, sem TV, pois o vídeo mostra que de inocente ele não tem nada.
Ai pensamos: Onde está a moral desse país?
Pois é... Um advogado que estuda durante 5 anos para fazer justiça, ironiza na TV dizendo que a ONU talvez interfira. O outro diz que seu cliente é inocente, que está sofrendo demais naquela situação assim como sua família. "E o Brasil inteiro se comove com a dor e sofrimento dessa família." Em respeito, faremos um minuto antes de silêncio, em seguida, solta a música DJ!

sábado, 30 de janeiro de 2010

A tecnologia em favor da fé...

A tecnologia chegou pra todos! Com o avanço dos recursos, claro que a Divindade não poderia ficar de fora. Na imagem podemos ver uma vela, ou melhor, algumas velas elétricas. Você coloca uma moeda e uma vela acende para a pessoa ou santo desejado. É mole? Em breve poderemos também mandar um e-mail pra Nossa Senhora pedindo uma Graça, ou até se confessar com o padre pela webcam desfigurada, que tal? Toda vez que entro na Catedral da Sé, local onde essa máquina está localizada, aperta meu coração em ver tanto luxo decorando seu ambiente, enquanto diversos moradores de rua repousam em sua escadaria sem ter o que comer. Quando olho a imagem de Jesus na cruz, fico tentando imaginar onde ele guardaria tanto ouro, obras de arte, e outras riquezas reunidas pela igreja católica. Ainda questiono-me por que as igrejas estão cercadas por grades, alarmes e câmeras... E viva a tecnologia!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado, coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu... "não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
" O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Educação indo a falência !?

Há algumas semanas assisti uma reportagem com uma notícia que estou tentando entender até agora. O CEU (Centro Educacional Unificado) do bairro Jardim Romano foi invadido por vândalos no meio da madrugada e foi depredado. Não estamos falando de qualquer escola, mas sim de uma unidade com instalações de primeiro mundo, com capacidade para mais de mil vagas entre crianças e jovens, além de espaços como teatro, piscina, quadras e bibliotecas que podem ser utilizadas por toda a comunidade. As imagens eram terríveis. Colchões utilizados em aulas de educação física jogados na piscina e rasgados, o teto e paredes pintados com tintas utilizadas em aulas de arte, poltronas do teatro queimadas, armários arrebentados e materiais destruidos, livros, diários de classe, cozinha com comida espalhada por todo lado, computadores quebrados. Agora, fico me perguntando o que levou alguém a cometer tal "assassinato" com a Educação, a falta de consciência da importância de uma instituição de tal porte como esse. Em São Paulo existem mais de 40 estruturas como essa, sendo escolas de primeiro mundo para crianças que vivem em situação de terceiro mundo. Até agora ninguém foi pego nem denunciado pelo que fez, enquanto isso, nosso dinheiro será gasto para repor tudo aquilo que foi destruido simplesmente pela maldade.
Não sei o que acontece com esse país, onde as pessoas tratam o que é público como se não fosse de ninguém, quando não é verdade. Para construir uma estrutura como essa são gastos milhões de reais, que saem do bolso de todos nós. -"Ah... mas eu não pago imposto"! Não seja imbecil ao ponto de achar que os outros pagam por você. Qualquer coisa que você compre está incluido carga tributária, e ainda reclama depois: -"Nossa... Como o feijão ta caro!" Pois é, e você nem sabe quanto está pagando de imposto por ele, sabe por quê? Porque sua educação não permite, seu conhecimento é deficiente. Sabe como isso vai mudar? Com o aprendizado na escola, que por sinal é depredada. -"Em escola de rico isso não acontece..." Por que será?
O mês que vem as aulas recomeçam. Os filhos dos ricos irão para suas escolas tão bem equipadas quanto essa, porém, já os filhos dessas pessoas que moram na região da escola destruida...

Lu Mounier

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Os maracujas

Há algumas semanas vivi um inferno. Abandonados, percebi alguns maracujas e resolvi fazer um suco antes que estragassem. Nem todos estavam bons, pois um ou outro estava seco, sendo assim joguei os imprestáveis fora. Algum tempo depois ouvi uma discussão entre meu pai e mãe, tudo porque ele foi REVIRAR O LIXO assim que eu fiz o suco e criou um inferno porque eu "desperdicei" os maracujas DELE.
Agora, semanas depois, a situação dos maracujas são essas como a imagem mostra, onde foram todos para o lixo por apodrecerem aguardando que alguém os aproveitassem, e ninguém o fez. A hipocresia das pessoas é tanta que o tempo se encarrega de revelar. Se a desculpa pela confusão foi o "desperdício", onde está a coerência? Deixar as frutas apodrecerem enquanto pessoas passam fome?
Por esses e outros motivos que esse país ainda está onde está, porque as pessoas só pensam nelas mesmas.
Viva o "desperdício"!