sexta-feira, 16 de abril de 2010

Projeto de Lei...

Um projeto de lei esperado há muito tempo (e atrasado) finalmente foi votado, tornando crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, equiparando esta situação à discriminação de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, sexo e gênero, ficando o autor do crime sujeito a pena, reclusão e multa.
Aprovado no Congresso Nacional, o PLC alterará a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, caracterizando crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. Isto quer dizer que todo cidadão ou cidadã que sofrer discriminação por causa de sua orientação sexual e identidade de gênero poderá prestar queixa formal na delegacia. Esta queixa levará à abertura de processo judicial. Caso seja provada a veracidade da acusação, o réu estará sujeito às penas definidas em lei.
Cedo ou tarde uma medida como essa teria que ser tomada, já que os brasileiros almejam elevar o Brasil a país de primeiro mundo. Porém, não são todos favoráveis a essa lei, e por incrível que pareça, o principal opositor é aquele que deveria estar a favor: A IGREJA.
Segundo um representante da igreja católica, essa lei não deve ser aprovada, pois torna crime, segundo sua opinião, a recusa de um padre ao casamento de homossexuais. Rebatendo sua opinião, um jurista comentou que o direito de exercício da religião está resguardado pela constituição. Isso mostra como é pequeno o pensamento dessa igreja perante a humanidade, onde o que importa são seus interesses, e não a Fé. Como podemos ver, essas são algumas das políticas de uma igreja que proibia negros de frequentar as missas no século XIX por não considerá-los filhos de Deus. Uma instituição onde seu representante maior desfila com roupas luxuosas e viagens de primeira classe. Essa mesma igreja enforcou aqueles que traduziram a Bíblia para o inglês, e queimou outras centenas na fogueira. Hoje, milhões de fiéis ainda idolatram um homem recoberto de ouro, arrogância e luxo, o chamando de Papa.
Diante de tudo isso, fico me questionando: Onde está Deus nessa hora?

domingo, 11 de abril de 2010

Compra-se um pai


Procuro um pai que saiba o que é família;
Aquele que pergunta como foi meu dia;
Que ligue para dizer que está chegando ou irá se atrasar;
Preciso de um pai que me chame de filho, que diz EU TE AMO;
Compraria um pai que antes de tudo fosse meu amigo;
Se orgulhe de ter seu filho o primeiro da sala;
Que me ensine o valor das coisas, das pessoas;
Um pai que dê referências, o exemplo de homem e caráter;
Aquele cara honesto que jamais admita injustiças;
Ofereço tudo que tenho por um pai generoso, solidário, que una sua família;
Não precisa ser bonito, basta ser carinhoso;
Não precisa ser rico, apenas um trabalhador;
Não precisar ser perfeito, só precisa ser humano;

Lu Mounier



domingo, 21 de março de 2010

Colocando o Brasil em ordem!?...



Um dos assuntos da semana foi a cena mostrada no vídeo que aconteceu em Jundiaí, interior de São Paulo. Ao vermos a cena, nosso lado humano fala mais alto, e todos ficamos indignados com a forma que a criança foi tirada dos braços da mãe pela guarda.
O absurdo começa na forma violenta com que os guardas retiram a criança dos braços da mãe, que segundo especialistas, era desnecessária. O constrangimento para essa mãe com sua exposição e tratamento como se ela fosse uma criminosa. Em seguida, a pequena menina é levada ao carro por uma autoridade fardada que desconhece as leis de trânsito. Calmai... Desconhece? Uma pessoa que deveria ter um comportamento EXEMPLAR senta-se ao banco do carona no veículo, com uma criança de colo e sem cinto de segurança! Como pode isso? Lembrando que estamos no Brasil. Voltando aos fatos, a justificativa de retirar o bebê dos pais e levar para um abrigo foi a utilização da mesma como ferramenta de trabalho, ou seja, sensibilizando as pessoas com a pequena menina em seu colo e assim conseguindo ajuda financeira. Fiquei me perguntando: Será que essas pessoas que tomaram essa decisão já estiveram em São Paulo?
Nós, moradores dessa enorme cidade, já estamos cansados de parar com nossos carros nos semáforos e nos abordarem pedindo dinheiro com bebês ao colo, dentro do trem, no metrô, e isso não é segredo para ninguém, pois acontece à luz do dia. Essas mães, que de coitadas não têm nada, utilizam seus filhos para sensibilizar as pessoas e conseguir dinheiro, e de quem é a responsabilidade disso? De todos nós. Você que dá dinheiro porque fica com dó, o Estado que cria esses programas sociais que só incentivam essas mães a fazerem filho e acumularem a BOLSA "ALGUMA COISA", e quanto mais criança, mais a renda aumenta.
Na Praça da Sé, dependentes químicos consomem drogas a qualquer hora do dia, sem contar que a ameaça de ser furtado naquele local é constante. Alguém faz alguma coisa? É do conhecimento de todos, porém, tudo permanece na mesma, e a população acostumando-se e conformando-se (O que é pior) com essa situação. E depois vem alguém, que acha que salvará o mundo, e tira uma criança dos braços da mãe da forma que foi feita. Está mais que na hora de cada cidadão exercer o seu papel.

Quer saber por que o Brasil não evolui? Releia...


O Jardim da Luz: Amostra 1º Capítulo


01

Dizem que se leva um minuto para conhecer uma pessoa especial, uma hora para amá-la e uma vida inteira para esquecê-la. Por mais que o tempo passe, existem coisas que jamais apagaremos da memória, cicatrizes deixadas pela vida que nos acompanharão para sempre.

Filho de pais alemães, nasci e cresci em São Paulo, onde morei por doze anos até minha família voltar à Europa. Devido a crise que o continente enfrentou pós guerra, a empresa em que meu pai trabalhava encerrou suas operações no Brasil, o transferindo para a matriz em Berlim.

A Europa estava vivendo um caos depois da Primeira Guerra Mundial. A Grã-Bretanha e a França tinham grandes dívidas com os EUA e tinham a intenção de fazerem a Alemanha pagá-las.

Com sua derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha sofreu enormes prejuízos. Assinado em 1919, o Tratado de Versailles foi um acordo de paz assinado pelas potências européias que encerrou oficialmente as batalhas. Após seis meses de negociações em Paris, o tratado foi assinado como uma continuação do armistício de Novembro de 1918, em Compiègne, que havia posto um fim aos confrontos.

O principal ponto do Tratado de Versailles obrigava a Alemanha a arcar com as dívidas de guerra, pagando altas indenizações, além de abrir mão de territórios coloniais e próprios, tendo ainda que adotar o processo de desmilitarização de seu país, não podendo dispor de quaisquer tipos de fortificações, tendo seu exército limitado a 100 mil homens.

Na realidade esse tratado foi uma medida punitiva, culpando a Alemanha, Áustria e Hungria pela guerra e impondo reparações ilimitadas e mal definidas aos Poderes Centrais. A conseqüência desse processo foi o empobrecimento do povo alemão e um gigantesco processo inflacionário. O marco¹ perdeu espaço para o dólar. Em novembro de 1918, um marco valia 25 centavos de dólar, e já em 1922, caiu para 400 marcos para um dólar. No ano seguinte, mais precisamente em novembro de 1923, o poder de compra do dinheiro diminuía quase que a cada hora. Os alemães se apressavam para converter suas economias caso tivessem alguma em bens duráveis.



¹ Marco: moeda alemã antes da incorporação do Euro.



Aceitar a idéia de mudar para o velho continente foi difícil, principalmente pelas razões climáticas, os amigos. O que eu não sabia, era que minha vida mudaria para sempre.

Em meu quarto eu lia um livro que trouxera do Brasil, somente com a luminária ao lado direito da minha cama ligada, além do aquecedor. O frio que fazia naquela noite despertava-me vontade de chorar, mesmo agasalhado.

A primeira noite foi a pior de todas, pois não tínhamos vestimentas apropriadas para aquele clima, nos fazendo quase congelar.

Logo quando o dia amanheceu meu pai foi trabalhar, ficando apenas eu, meu irmão e minha mãe. Desci para tomar café da manhã, tremendo feito uma vara verde.

Colocando o bule sobre à mesa, minha mãe falou:

-Hans, preciso que você vá comigo até a loja de tecidos.

-Fazer o quê?

-Vou comprar tecido. Não temos muito dinheiro para gastar com alfaiate e precisamos de boas vestimentas para passar o inverno.

-Por que a senhora não leva o Patrick?

-Porque ele ficará estudando.

-Humpft... Tudo bem.

Mesmo que eu não concordasse em ir, ela obrigaria-me de qualquer jeito. Nossa educação sempre foi muito rígida, tendo os pais como soberanos de tudo. Claro que eu não concordava com tais regras, porém, contrariar não adiantaria muito, apenas levaria-me para cama mais cedo, e certamente acompanhado de uns puxões de orelha.

Caminhando apressado, tentava acompanhar os passos de minha mãe em direção à loja de tecidos.

Tomando a frente, minha mãe empurrou a porta, entrando rapidamente, comigo logo em seguida. Quase a deixei bater, pois ventava muito naquele momento.

Aproximando-se do balcão, mamãe olhava de um lado para o outro as pilhas de tecidos, ao mesmo tempo em que tirava suas luvas.

Não demorou muito para que uma senhora nos abordasse:

-Bom dia!

-Bom dia. Quero ver alguns tecidos para fazer roupas de inverno.

-Ah sim! Acompanhe-me, por favor. - Disse aquela senhora caminhando em direção às prateleiras.

A loja tinha alguns adereços estranhos, provavelmente provindos de outra cultura. Conforme minha mãe ia pedindo, o senhor que estava no balcão ia medindo, cortando e embrulhando os tecidos.

Ambiente sombrio, cheirava a couro. A porta de entrada nos permitia visualizar os bondes e pessoas pela rua passar, pois da metade para cima era de vidro.

Depois de muito esperar, eis que ouço meu nome:

-Hans... - Chamou minha mãe.

-Senhora?

-Venha me ajudar com os pacotes.

-Sim.

Quando voltei ao balcão e vi aquela pilha de pacotes amontoados, tive vontade de chorar. Nunca pensei que minha mãe fosse comprar tanto, sobrando, claro, para eu carregar.

-Quanta coisa! - Exclamei abismado.

Dando a volta pelo balcão, o senhor de cara feia disse:

-Aguarde um momento que vou lhe ajudar com os pacotes.

-Sim. - Respondeu minha mãe colocando suas luvas.

Caminhando por um longo corredor, gritou o senhor:

-Eliezer!... Eliezer!...

-Chamou, pai?

-Ajude essa senhora e seu filho com os pacotes.

-Sim.

Que alívio! Pelo menos eu não levaria tudo sozinho. Assim como seus pais, aquele garoto era estranho, sério, usando um chapéu na cabeça igual ao daquele senhor.

Durante todo o caminho ele permaneceu calado, caminhando apressado para tentar nos alcançar. Após quase ser atropelado por um bonde, minha mãe pegou em sua mão, e a partir de então passou a puxar assunto com ele:

-Qual sua idade, Eliezer?

-13.

-Você tem irmãos?

-Sim.

Suas respostas eram curtas, provavelmente devido a sua timidez.

-Quantos irmãos você tem?

-Tenho uma.

-E qual o nome dela?

-Ashira...

-É mais velha?

-Sim, Ashira tem 15 anos.

Ao chegarmos em casa, colocamos os pacotes sobre a mesa da cozinha. Tirando suas luvas, mamãe disse acendendo o fogão:

-Sente-se à mesa, Eliezer. Vou lhe servir algo para aquecer do frio.

-Desculpe, senhora, mas não posso demorar...

-Não se preocupe, não irá demorar nada.

-Tudo bem... Danke!

Tomamos um chá com biscoitos, os três sentados à mesa. Aos poucos o Eliezer foi se soltando e conversando mais, deixando-me confuso com toda aquela história de judeu que eu não entendia nada. Até que ele se mostrou um garoto legal, diferente da primeira impressão fechada e isolada que se mostrou logo no início.

Após o chá, o Eliezer partiu dizendo que precisava voltar logo para a loja para ajudar seus pais, e eu, tranquei-me no quarto para ler um pouco os livros que trouxera do Brasil. Envolvi-me com a história que nem percebi o tempo passar, até ser interrompido por alguém batendo a porta.

Segui até o corredor, olhei de um lado para o outro e não vi ninguém.

-Mutter¹? - Chamei. - Patrick?



¹Mutter: mãe



Ninguém respondeu. Tudo indicava que não havia ninguém em casa. Sendo assim, fui até a sala para ver quem era. Espiei pelo buraco da fechadura, mas não consegui ver ninguém.

Abri a porta e avistei aquele garoto estranho, segurando um pacote nas mãos.

-Hallo! - Exclamei surpreso.

-Oi... A senhora Gisela está?

-Acho que não...

Ficamos um tempo olhando um para a cara do outro, até que sugeri:

-Entre, acredito que ela não vá demorar.

-Danke!

-Sente-se. - Falei fechando a porta.

-Danke!

Sentei-me no outro sofá frente ao seu. Silêncio. Apenas o pêndulo do cuco na parede soava, e às vezes o bonde ao passar pela rua.

-O que aconteceu com seu chapéu? - Questionei curioso.

-É uma kipá².

-Kipá?

-Sim.

-Pra que serve?

-A kipá deve estar sempre sobre a cabeça, lembrando que há alguém acima de nós observando todos nossos atos. Isso faz com que reflitamos mais sobre nosso comportamento e nossas ações.

-Hum... E por que você não tira ela?

-Não podemos tirar, só pra tomar banho.

-Nem pra dormir?

-Nem pra dormir.

-Hum... Achei vocês um pouco estranhos.

-Por quê?

-Não sei...

-Humpft... Deve ser porque somos judeus.

-Judeu?

-Ja... Cultura judaica. Nunca ouviu falar?

-Não.

-Nossa!... Mas você também é estranho.

-Eu?

-É... Seu jeito de falar...

-Bem, na verdade sou brasileiro.

-Brasileiro?

-É... Meus pais são alemães, mas eu nasci no Brasil.

-Onde fica o Brasil?

-Fica na América.

-É bonito lá?

-Sim... Eu tenho um retrato, quer ver?

-Quero!

-Vem comigo...

Seguimos até meu quarto, correndo. Empurrei a porta que estava entreaberta, abri a gaveta do criadomudo e falei sentando-me à cama:

-Olha!

-Nossa!... Parece um lugar bonito... Onde é?

-Praça da República, em São Paulo.

-São Paulo é a capital do Brasil?

-Não, a capital é Rio de Janeiro.

-Entendi. Quero um dia poder conhecer o Brasil...

-Se quiser eu te levo quando eu for.

-Quando?

-O mais rápido possível... Não vejo a hora de voltar para o calor brasileiro.

-Por quê? No Brasil não faz frio?

-Faz, mas não como aqui na Alemanha. Bom, pelo menos em São Paulo...

-E do que você mais sente falta dessa cidade?

-Humpft... Da garoa nas tardes paulistana... De tomar chá com minha mãe no Jardim da Luz...

-Jardim da Luz?

-É... Em frente tem a estação de trem...

-Acho que terei muita coisa pra conhecer em São Paulo.

-Vou te apresentar para os meus amigos, e faremos um campeonato de peão.

-Você também joga peão?

-Sim.

-Que legal! Adoro brincar com peão, mas não tenho com quem...

-E os garotos da sua rua?

-Eles não gostam de mim...

-Ué... Por quê?

-Porque sou judeu.

-O que acha de brincarmos juntos?

-Adorei a idéia! Mas agora preciso ir.

-Mas já?

-Sim... Hoje é sexta feira, dia de Shabat¹.

-Quem é Shabat?

-Depois te explico.

-Humpft... Ta bom.

-Entregue isso a sua mãe. - Entregou-me o pacote.

-Tudo bem.

Corremos até a porta e ao abri-la, fiquei olhando ele correr pelo corredor e antes que ele descesse a escada chamei:

-Eliezer!?

-Ja?

-Você volta?

-Volto!

Após trocarmos um sorriso, fechei a porta e ele foi embora. Confesso que fiquei feliz, pois acabava de ganhar um amigo naquela terra de pessoas estranhas e fria. Até que ele não era tão esquisito quanto aparentava, e gostava de peão, algo que eu também adorava.

Pouco tempo depois minha mãe chegou com uma sacola. Encontrando-me na sala, exclamou fechando a porta:

-Hans!

-Mutter! Onde a senhora estava?

-Fui ao armazém comprar alguns botões.

-Ah!... O filho do dono da loja de tecidos esteve aqui. - Falei seguindo-a até a cozinha.

-Pra quê?

-Veio te trazer esse pacote.

Franzindo as sobrancelhas, colocou o pacote sobre a mesa e abriu para ver o que era.

-Ah! Mais tecido...

-A senhora comprou mais?

-Não, esse foi o que esqueci na loja.

-Hum.

Ouvimos a porta da sala bater. Olhamos para o corredor, mas não vimos ninguém passar. Segui até a sala e avistei meu pai sentado ao sofá com a cabeça baixa apoiada com as mãos.

-Vater!... Está tudo bem?

Ele não respondeu. Voltei a cozinha e falei para minha mãe que lavava as batatas:

-Mutter, o vater está estranho.

-O que ele tem?

-Não sei...

Após enxugar suas mãos, seguiu até a sala preocupada.

-Oliver... O que acontece?

Vagarosamente ele levantou sua cabeça e olhando para minha mãe falou com uma expressão cansada:

-Fui demitido.

-Demitido? Ceus!...

Incrédula, sentou-se ao sofá. Fiquei sem entender nada, pois não sabia o significado de “demitido”.

Durante quase todo o jantar o silêncio predominou, até o papai começar a falar:

-Bem... Nossa situação financeira agora vai ficar um pouco mais difícil...

-O que aconteceu, vater? - Perguntou meu irmão.

-Hoje fui despedido da empresa.

Sussurrando, perguntei a mamãe sentada ao meu lado:

-O que isso quer dizer, mutter?

-Quer dizer que seu pai não trabalha mais na empresa.

-Nossa!

Angustiada, minha mãe sugeriu:

-Vou amanhã até a loja de tecidos ver se eles aceitam de volta os tecidos que comprei...

-E morrer de frio no inverno europeu? Não seja louca, daremos um jeito para conseguir dinheiro.

-Mas Oliver, enquanto não houver outra alternativa...

-Por enquanto não estamos morrendo de fome!

-E se vendêssemos tudo e voltássemos para o Brasil?

-Jamais! Lutaremos unidos pela Alemanha.

Jogando o guardanapo sobre a mesa, mamãe respondeu levantando-se:

-Pois então não reclame se amanhã nossa família tiver que morar nas calçadas de Berlim.

Sem mais uma palavra ela seguiu para seu quarto. Assustado, olhei para o Patrick que mordia seu pão como se nada estivesse acontecendo. Permaneci calado, assim como todos à mesa.

Durante a madrugada levantei para ir ao banheiro. Quando voltava ao quarto avistei mamãe sentada ao sofá da sala, no silêncio da escuridão ao lado da tímida clara do abajur. Apoiei minha mão sobre o batente da porta e a observei por um tempo.

Percebendo minha presença, enxugou rapidamente suas lágrimas questionando:

-Hans... O que faz acordado uma hora dessas?

-Levantei para ir ao banheiro. - Respondi caminhando até ela.

Sentando-me ao seu lado, perguntei:

-Mutter... Não quero vê-la chorando.

-Não estou chorando.

-Está sim... Eu vi.

-Faden!

-Mutter... Tudo vai se resolver, a senhora vai ver.

Abraçando-me, ela comentou:

-Tenho certeza que sim, geliebt.

No outro dia o Eliezer chegou em casa logo após o almoço. Brincamos a tarde inteira, nem vimos a hora passar.

Arrumando a alça de seu suspensório, o Eliezer comentou:

-Preciso ir, Hans... Logo vai anoitecer.

-Que pena! Nos vemos amanhã então?

-Infelizmente não.

-Por quê?

-Porque é dia de Kippur.

-Então não poderemos brincar amanhã?

-Não... No kipur não podemos comer após o pôr do sol, usar calçados de couro, escovar os dentes, tomar banho, lavar a boca... O rosto de as mãos apenas podem ser lavados pelas manhãs antes das orações.

-Nossa!

O jejum do Yom Kippur não é permitido para crianças com menos de nove anos de idade, mulheres grávidas ou as que deram a luz há menos de um mês e pessoas gravemente doentes. Além disso, não se pode carregar nada, fumar, acender fogo nem usar eletricidade.



O Yom Kipur ou Kippur é um dos dias mais importantes do judaísmo. No calendário hebreu começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishrei, do qual coincide com Setembro ou Outubro e continua até o seguinte pôr do sol. Os judeus tradicionalmente concebem esse feriado com um período de jejum de 25 horas e reza intensa.



Alguns dias se passaram. Na cozinha, enquanto selecionava os legumes, mamãe murmurava:

-Como estão caros!

-Falou comigo, mutter?

-Não, apenas pensei alto.

-Não vai comprar beterraba?

-Melhor não... Vou aguardar o preço abaixar... Está tudo muito caro.

Cada vez que íamos ao armazém mamãe trazia menos coisas. Os preços altos obrigavam as famílias a racionarem a comida.

Colocava o pacote com as compras sobre a mesa da cozinha quando mamãe disse-me tirando suas luvas:

-Hans... Tome! - Entregou-me umas moedas.

-Pra mim?

-Sim... Sobraram algumas moedas e estou lhe dando por ter me ajudado.

-Danke, mutter!

Sai correndo em direção à porta da sala, quando ela questionou:

-Hans... Aonde vai?

-Vou convidar o Eliezer para tomar uma gasosa!

-Cuidado para atravessar a rua.

-Ja!

Fechei a porta de casa e segui correndo até a casa do Eliezer. Entrei na loja de seu pai. Ao empurrar a porta um sininho tocou. De costas estava o senhor Boris, arrumando uma pilha de tecidos nas prateleiras próximo ao balcão do fundo.

Ao virar-se, exclamou dizendo:

-Olá, garoto!

-Boa tarde, senhor Lovitz! O Eliezer está?

-Sim, está em casa.

-Obrigado!

Deixei sua loja e toquei a campainha ao lado. Algum tempo depois ele abriu a porta surpreso:

-Hans!

-Hallo! Vim te convidar para tomarmos uma gasosa.

-Oba! Vou pegar meu casaco e já desço.

-Vou te esperar aqui.

-Está bem.

Enquanto aguardava pelo Eliezer, observava o bonde passar.

-Pronto!

-Vamos?

-Sim!

Seguimos até o bar próximo ao parque. Nos sentamos a mesa e logo veio o garçom nos abordar.

-Boa tarde, meninos!

-Boa tarde!

-O que vão querer?

-Duas gasosas, por favor. - Respondi olhando pro Eliezer e sorrindo.

-Tudo bem. - Disse o garçom anotando nosso pedido.

-Estou feliz por ter me convidado para uma gasosa!

-Ah é?

-Sim... Quase não tenho amigos...

-Mas e os garotos do grupo escolar?

-Humpft... Não gostam de mim, me acham bizarro.

-Sinceramente eu também te achei no começo.

-Verdade?

-Sim... Mas agora não te acho mais.

-Por quê?

-Porque eu te conheço e sei que você é um garoto super legal!

-Duas gasosas! - Interrompeu o garçom nos servindo ao copo.

-Danke! - Agradeci.

-Com licença.

-Hans...

-Eu?

-Você quer ser meu amigo?

-Claro que sim!

-Mesmo eu sendo judeu?

-Não vejo problemas nisso...

-Que bom!

Após tomarmos nossa gasosa fomos brincar um pouco no parque. Cheguei em casa todo sujo, fazendo minha mãe pirar.

-Mas... O que aconteceu com você?

-Estava brincando no parque...

-Brincando? Mais parece que esteve em uma guerra! Vá tirar essa roupa enquanto lhe preparo um banho.

-Ja, mutter.

Eu adorava tomar banho em dias de inverno, pois passava um bom tempo dentro da banheira com água bem quentinha, mas também só essa parte agradava-me, pois tanto na hora de entrar quanto na hora de sair era o momento mais sofrido.

No dia seguinte, no início da tarde minha mãe entrou em meu quarto dizendo:

-Hans... Tem visita pra você.

Assim que o Eliezer entrou em meu quarto ela nos deixou as sós, fechando a porta ao sair. Segurando seu peão ele caminhou até mim dizendo:

-Hallo, Hans!

-Hallo...

-Está tudo bem?

-Não muito.

-Warum¹?

-Meu vater perdeu o emprego.

-Nossa!

Sentando-se ao chão ao meu lado ele perguntou:

-Bem... Será que eu poderia ajudar?

-Acho que não...

-Eu vim pra jogarmos peão, mas se quiser posso voltar outra hora.

-Nein! Ficarmos aqui lamentando não irá ajudar. Vou pegar meu peão. - Levantei-me correndo.

Passamos horas brincando naquela tarde. O Eliezer se mostrou ser um garoto super legal, além de generoso.

-Hans...

-Hum?

-Ontem comentei com meu pai sobre o Brasil que você havia dito.

-Ah é?

-Ja...

-O que ele disse?

-Ele me contou que tem um primo morando na capital.

-Que legal! Eu nunca estive na capital.

-Nunca?

-Nunca, mas dizem que é uma cidade muito linda.

-Hans... Está ficando tarde.

-Mas nem anoiteceu ainda.

-Preciso chegar em casa antes de anoitecer para o papai acender as velas.

-Que velas?

-As velas do shabat.

-Hum...

-Nos falamos depois.

-Tudo bem.

O Shabat é iniciado ao pôr-do-sol de cada sexta-feira. Após sua obra de criação, Deus abençoou o sétimo dia, denominado Shabat, quando repousou. A tradição de respeito a esse dia é seguido por todo judeu, que acreditam no sagrado conceito: “mais do que os judeus têm guardado ao Shabat, o Shabat tem resguardado os judeus”. Por meio da história em Israel e na era diáspora, o ritual tem sido um elo entre os judeus.

Para eles, obedecer ao Shabat é imitar a Deus em todos os seus atributos morais, sendo o padrão de conduta recomendada ao homem devoto, seguindo o exemplo do criador. É durante esse dia que o homem alcança uma grande dignidade e estatura moral, por mais que se sinta oprimido ou rejeitado pelo mundo.











terça-feira, 2 de março de 2010

E a Educação com isso?

PROVA DE REDAÇÃO DA UFMG


Onde vamos parar? Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever na prova de redação da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo como o tema:
'A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?'
A seleção foi feita pelo prof. José Roberto Mathias.


'A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de
comunicação'. (Deus!)

'A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação'.
(Fantástica!)

'A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não...'
(Ah bom, uma frase sobrenatural ) ..

'A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida
como também as vista'
(Sem comentários ).

'A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças'
(Como é que pode ?)

'Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco (?), fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro'

( esta é imbatível).


'A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral'
(É praticamente
uma tortura !).


'A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de locomoção'
(Tudo a ver).

'A TV é o oxigênio que forma nossas idéias'
(Sem ela este indivíduo não pode
viver).


'...por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens'
(Nunca tentei dirigir uma TV ).

'A TV ezerce
(Puxa!!! ) poder, levando informações diárias e porque não dizer
horárias'
(Esse é humorista, além de tudo).

'
E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso' (Me explica isso? ).

'A televisão leva fatos a trilhares de pessoas'
(É muita gente isso, hein?).

'A TV acomoda aos tele inspectadores'
(Socorro!!!).

'
A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas' (Vixe!)

'A televisão pode ser definida como uma faca de trezgumes. Ela tanto pode formar, como informar, como deformar'
(Puta que pariu, onde essa criatura arrumou esta faca???).

Carta ao presidente

CARTA PUBLICADA NO ESTADÃO
Carta-resposta de um Juiz ao Presidente Lula publicada no Estadão.
Veja a carta que um juiz colocou no jornal de hoje:
Carta do Juiz Ruy Coppola (2º TAC) .


Mensagem ao presidente!


Estimado presidente, assisti na televisão, anteontem, o trecho de seu discurso criticando o Poder Judiciário e dizendo que V. Exa. e seu amigo Tarso, ministro da Justiça, há muito tempo são favoráveis ao controle externo do Poder Judiciário, não para 'meter a mão na decisão do juiz', mas para abrir a 'caixa-preta' do Poder... Vi também V. Exa. falar sobre 'duas Justiças' e sobre a influência do dinheiro nas decisões da Justiça.

Fiquei abismado, caro presidente, não com a falta de conhecimento de V.Exa., já que coisa diversa não poderia esperar (só pelo fato de que o nobre presidente é leigo), mas com o fato de que o nobre presidente ainda não se tenha dado conta de que não é mais candidato.
Não precisa mais falar como se em palanque estivesse; não precisa mais fazer cara de inconformado, alterando o tom da voz para influir no ânimo da platéia. Afinal, não é sempre que se faz discurso na porta da Volks.

Não precisa mais chorar. O eminente presidente precisa apenas mandar, o que não fez até agora.

Não existem duas Justiças, como V. Exa. falou. Existe uma só.

Que é cega, mas não é surda e costuma escutar as besteiras que muitos falam sobre ela.

Basta ao presidente mandar seu amigo Tarso tomar medidas concretas e efetivas contra o crime organizado.

Mandar seus demais ministros exercer os cargos para os quais foram nomeados.

Mandar seus líderes partidários fazer menos conchavos e começar a legislar em favor da sociedade.
Afinal, V. Exa. foi eleito para isso.
Sr. presidente, no mesmo canal de televisão, assisti a uma reportagem dando conta de que, em Pernambuco (sua terra natal), crianças que haviam abandonado o lixão, por receberem R$ 25,00 do Bolsa-Escola , tinham voltado para aquela vida (??) insólita simplesmente porque desde janeiro seu governo não repassou o dinheiro destinado ao Bolsa-Escola .

Como se pode ver, Sr. presidente, vou tentar lembrá-lo de algumas coisas simples. Nós, do Poder Judiciário, não temos caixa-preta. Temos leis inconsistentes e brandas (que seu amigo Tarso sempre utilizou para inocentar pessoas acusadas de crimes do colarinho-branco) .

Temos de conviver com a Fazenda Pública (e o Sr. presidente é responsável por ela, caso não saiba), sendo nossa maior cliente e litigante, na maioria dos casos, de má-fé.
Temos os precatórios que não são pagos.
Temos acidentados que não recebem benefícios em dia (o INSS é de sua responsabilidade, Sr. presidente). Não temos medo algum de qualquer controle externo, Sr. presidente.
Temos medo, sim, de que pessoas menos avisadas, como V. Exa.. mostrou ser, confundam controle externo com atividade jurisdicional (pergunte ao seu amigo Tarso, ele explica o que é).
De qualquer forma, não é bom falar de corda em casa de enforcado.
Evidente que V. Exa. usou da expressão 'caixa-preta' não no sentido pejorativo do termo.
Juízes não tomam vinho de R$ 4 mil a garrafa.
Juízes não são agradados com vinhos portugueses raros quando vão a restaurantes.
Juízes, quando fazem churrasco, não mandam vir churrasqueiro de outro Estado.
Mulheres de juízes não possuem condições financeiras para importar cabeleireiros de outras unidades da Federação, apenas para fazer uma 'escova'. Cachorros de juízes não andam de carro oficial. Caixa-preta por caixa-preta (no sentido meramente figurativo), sr. presidente, a do Poder Executivo é bem maior do que a nossa.
Meus respeitos a V. Exa. e recomendações ao seu amigo Márcio.

P.S.: Dê lembranças a 'Michelle'.

(Michelle é cachorrinha presidencial, que passeia em carro oficial e, quando necessário, em avião da FAB, quando algum desconforto mais preocupante recomende uma ida a SPaulo)


Ruy Coppola, Juiz do 2.º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Conto: O último ônibus

Rogério segue para o ponto de ônibus após mais um dia de aula, como fazia rotineiramente. Segurando sua mochila com apenas uma alça ele usa sua mão pra tirar sua carteira do bolso traseiro da calça. O ônibus chega. Rogério entra. Ao cruzar a catraca Rogério percebe que o cobrador deu uma olhada diferente. Ele sabe que ali existe algo além do normal. O cobrador de traços indígenas não disfarça seu desejo, enquanto Rogério acomoda-se no último banco daquele corredor vazio. A viagem não é muito longa, mas deu tempo suficiente para que ambos deixassem a imaginação falar mais alto. Já passava da meia noite quando o ônibus chegou ao terminal. Rogério desce. Louco de desejo o cobrador desce logo em seguida. Rogério entra no banheiro. Desabotoando sua calça o cobrador o segue. Com seu braço forte ele pega Rogério e o prende na última repartição. Rogério tira sua mochila das costas, enquanto o cobrador desce as calças. Ambos se beijam como se fosse um saciar de saudade. Rogério empurra o desconhecido contra a parede e começa a deslizar sua lingua pelo seu corpo liso e nu. As peles se arrepiam de tesão. A respiração se torna mais intensa, ofegante. Os músculos de ambos se contraem, já molhados de suor. O cobrador safado aperta as coxas de Rogério ao ser penetrado. Os movimentos pélvicos evoluem sincronizadamente. As mãos seguram o quadril, enquanto as outras deslizam pela cerâmica da parede branca como algodão. O Jovem estudante geme no ouvido do cobrador devasso, enquanto o pede que bombe com força. Rogério puxa seus cabelos, chupa seu pescoço. Ambos deliram de prazer. No silêncio daquele início de madrugada, apenas os dois compartilhavam aquele segredo. A sensibilidade dos corpos atingia seu ápice, quando Rogério ejacula com vontade. No auge do orgasmo ele penetra com força, até o fundo. Os dois se abraçam, respirando fundo enquanto se recuperam da libido provocada.
Já vestidos, Rogério sai após se despedir com um longo beijo molhado. O que aquele cobrador ousado não desconfiava era que o garoto de aparência tímida escondia um homem safado, gostoso e forte. Ao final, partiram sem ao menos saber os nomes.


O reflexo da cultura atrasada

A Copa do Mundo deu ao Brasil uma grande visibilidade para os próximos anos. Que isso é um ponto positivo não temos dúvidas, porém, como na maioria das coisas nesse país, pode se tornar um problema. Em São Paulo elegeram o Estádio do Morumbi para sediar alguns jogos. O problema é que esse estádio não foi aprovado pela Fifa, mesmo com projetos de reformas. Realmente, ao redor da estrutura existem ruas muito estreitas, além da localização não ser de fácil acesso. Ainda assim insistem em reformar esse estádio mesmo tendo a quase certa reprovação da Fifa, e caso isso aconteça, os jogos de abertura em São Paulo não acontecerão mais. Em Pequin construiram magníficos estádios que impressionaram o mundo, na África também, e no Brasil? Até o momento nem se fala. Esse é o momento de mostrar ao mundo que o Brasil não é um país de coitados, pobres, mas a burocracia e demora pra tomar certas atitudes nos torna atrasados. Por que não se constrói um novo estádio em São Paulo com estrutura de primeiro mundo? Por que demora-se tanto pra resolver assuntos cujo países que eram mais atrasados que o nosso já resolveram? (Africa e China). O que pensará o mundo de nosso país? Será que nos darão novamente a oportunidade de sediar algo, tendo em vista a falta de organização brasileira como está sendo visto atualmente?

Quer saber por que o Brasil não vai pra frente?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Conto: O novato

Robson havia acabado de entrar para o exercito. Chegando no quartel, guardou suas roupas e deitou em sua futura cama. Pouco tempo depois começaram a entrar outros jovens, que assim como ele, foram conhecer o futuro dormitório. Um dos garotos olha para Robson de forma diferente. Robson percebe.
Naquela noite todos vão dormir cedo, pois já estavam avisados que no dia seguinte acordariam antes do sol. Robson não consegue dormir. Ao olhar para o lado, percebe que o outro rapaz da cama ao lado o observa no breu do quartel.
O desejo era explicito no olhar de ambos. Aquele rapaz de pele branca, peitoral definido, cabelos raspados e olhos mel. Deitado sem camisa, desceu seu lençol até um pouco abaixo do umbigo, sem desviar seu olhar de caçador para Robson. Robson suspira sem tirar o olho, percebendo que o rapaz estava sem cueca. Fazendo sinal com a cabeça o rapaz chama Robson para sua cama, mas ele nao responde. Após descer todo o lençol e revelar o volume de seu pênis sob a samba-cançao branca, segue em direção a cama de Robson, onde enfia-se embaixo do lençol e começa a beija-lo loucamente.
Com a tesão aflorando entre ambos, o safado rapaz esfrega seu membro ereto nas coxas de Robson, que tenta resistir mas o tesão é mais forte que ele. Robson abre suas pernas enquanto o outro soldado desce sua cueca de uma só vez. Robson toca os mamilos do outro com a lingua, mas não por muito tempo. Safado, o soldado sem nome segura Robson pela cintura com uma pegada firme e de personalidade.
Sem fazer barulho o moreno de olhos mel inicia suas linguadas em Robson que sente tudo de bruçus. Ele controla-se, gemendo baixo. Sem que ele percebesse, o soldado de nome desconhecido explora todo seu interior com seu pau duro feito rocha. Robson empina sua bunda, enquanto sente aquele membro de veias saltantes entrar cada vez mais fundo. Ele bomba com força. Robson segura na beira da cama, de olhos fechados delirando de prazer. Aquele pênis grosso e reto entra tão facilmente que Robson nao reclama de nada.
Suas pernas estavam tao abertas que iam de uma ponta a outra.
Aos poucos as bombadas foram aumentando. Tornaram-se mais frequentes e intensas, até que seu cabelo passou a ser puxado como crina de cavalo. O suor desce por sua testa, enquanto o entra e sai moldam o ápice do prazer que ele começa a receber de forma crescente.
Sem combinarem, Robson e o soldado gozam ao mesmo tempo. Sua satisfaçao era tanta que Robson ejaculou sem tocar em seu pênis. O prazer de sentir aquele membro firme e malvado foi o suficiente para faze-lo esporrar no próprio lençol.
Em pouco tempo já estavam cada um em sua cama, levando o segredo compartilhado que ficara apenas entre os dois.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Hipocrisia x Religião

Enquanto escrevo meu novo livro, ouço meu pai e meu irmão conversarem sobre religião. Ambos discutem sobre vida após a morte, para onde o espírito vai, as consequências de suas ações em vida e punições no outro plano... Enquanto ouvia as perguntas do meu pai para o meu irmão, percebia sua preocupação com o "sofrimento" em outra vida, resultado de maldades praticadas na Terra. O engraçado era que as perguntas que fazia, eram justamente do seu modo de se comportar. "E se o cara for muito apegado numa coisa, o que acontece quando ele morre?" Entre outras perguntas. Ao final da conversa, criticava as pessoas que só pensam em matéria, gananciosas, e dizia que era a favor da bondade. Bondade? Uma pessoa que despreza a família e passa a vida mau humorada? Que faz de um automóvel o membro mais precioso da família? Que faz um escândalo com todos por R$ 0,20? Pois é, os dois, interessados na prática da religião, praticam exatamente as mesmas coisas e agem da mesma forma contrária ao que pregam. Chamam as pessoas de lixo, praticam maldades achando que são os mais espertos do mundo, querem levar vantagem em tudo, são vingativos, julgam o outro sem ao menos conhecer... Entre essas e outras, fico me perguntando: Pra que religião? Assim como outras pessoas, ambos usam a religião para um alívio de consciência, por um egoísmo de olhar apenas o seu humbigo, e não pensando na prática dos ensinamentos e doutrinas das mesmas para ajudar ao próximo. É como eles dois dizem... "Eu quero que todo mundo se foda!"

30 coisas que você nunca viu

ATENÇÃO: Essa brincadeira abaixo não foi criada por mim, apenas estou postando porque recebi por e-mail e achei que vale a pena refletir sobre!

1. Ex-corno
2. Filho de prostituta chamado Junior
3. Roberto Carlos de bermuda
4. Genro com retrato de sogra na carteira
5. Enterro de anão
6. Japonês com síndrome de Down
7. Recepcionista de agência de emprego educada
8. Santo de óculos
9. Baiana de acarajé ser assaltada
10. Lombardi
11. Cabeça de bacalhau
12. Gêmeos Negros
13. Sonia Abrão falar bem de alguém
14. Chester vivo
15. Entrevistado do Ibope
16. Papel higiênico em banheiro público
17. Boliviana bonita
18. Salário durar trinta dias
19. Previsão da Mãe Diná dar certo
20. Ser fiel até que a morte os separe
21. Uma japonesa vesga
22. Herbert Richard que citam nos filmes
23. Gordo flagrado assaltando geladeira para comer salada
24. Argentino jogar limpo
25. Funcionário público bem humorado
26. Coreano higiênico
27. Macumbeiro rico
28. Taxista honesto
29. Psiquiatra sem cara de louco
30. Bêbado rasgar dinheiro

Quem se lembra?

Postando esse pequeno e eterno vídeo apenas para relembrar uma célebre frase que marcará um período brasileiro para sempre!!!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cada um no seu quadrado...

Todo mundo sabe que fumar em transporte público é proibido por lei. Todo mundo sabe também que poucos respeitam. Por que será? Não precisa ser muito inteligente pra descobrir, afinal, vivemos no país do "jeitinho", nome dado a corrupção descarada. É um absurdo você esperar pelo trem na plataforma ao lado de uma pessoa fumando, além de desagradável. Embora os avisos existam microscopicamente, o absurdo maior é a omissão de alguns funcionários da CPTM que além de não cumprir seu papel de fiscalizar e zelar pelo patrimônio, são vistos também fumando em meio aos usuários.
E assim o país caminha... Brasília com sua fama, os transportes uma calamidade, as ruas imundas e as favelas aumentando. A resposta? "Eu não sabia..."

Na imagem abaixo um guarda de estação passando tempo batendo papo com sua amiga, e para descontrair ela fuma um cigarrinho após voltar cansada do trabalho.







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma ajudinha, por favor?

Outro dia, caminhava pela sombra para encontrar alguns amigos quando fui abordado por uma senhora. A mesma pediu-me alguma moeda pois estava com fome ao mesmo tempo em que alisava sua barriga. Reparei na sacola que ela carregava nas mãos e notei que havia pão e legumes, sendo assim, falta de comida não era. Falei que não tinha dinheiro e continuei meu caminho.
Essa situação fez-me refletir sobre essas pessoas que pedem nas ruas. Até hoje eu nunca fui abordado por ninguém me pedindo comida, somente dinheiro para comprar comida. Lembro-me de uma vez que bateram na porta de casa pedindo dinheiro para comprar comida. Ofereci comida para a moça de cara suja e pálida, e para minha surpresa a mesma recusou (modéstia parte cozinho bem). Diante disso, cheguei a conclusão de que essas pessoas se utilizam de um pretexto para conseguir dinheiro, utilizando problemas sociais, a idade e até mesmo os filhos pequenos. E de quem é a responsabilidade disso? Sua! Enquanto você alimentar esse mercado de esmolas porque fica com dó, mais e mais pessoas se aproveitarão da generosidade alheia. Reveja seus conceitos, preste atenção nas suas atitudes e se questione.

Ainda quer saber por que o Brasil não vai pra frente?


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Viva a democracia!

Nunca na história desse país houve a prisão de um governador em exercício como a que ocorreu essa semana em Brasília. Claro que o fato inédito nos enche de esperança, crendo que dessa vez o país vai andar, porém, ainda não é suficiente. Ficar preso em uma cela especial, e ainda ouvir um comentário de um militar que dizia: "Eles está preso em um ambiente à sua altura". Afinal, não é a constituição brasileira que diz que TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI? Coloque-o nos presídios comuns, comendo a quentinha, sem TV, pois o vídeo mostra que de inocente ele não tem nada.
Ai pensamos: Onde está a moral desse país?
Pois é... Um advogado que estuda durante 5 anos para fazer justiça, ironiza na TV dizendo que a ONU talvez interfira. O outro diz que seu cliente é inocente, que está sofrendo demais naquela situação assim como sua família. "E o Brasil inteiro se comove com a dor e sofrimento dessa família." Em respeito, faremos um minuto antes de silêncio, em seguida, solta a música DJ!